BrasilParanáÚltimas notícias

Morte de piloto após banho de óleo no Paraná: o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) está investigando o caso de Gustavo Henrique Lara, engenheiro que morreu após passar por um banho de óleo como comemoração ao seu primeiro voo solo como piloto. A cerimônia marca uma etapa de formação em escolas de aviação e envolve um óleo usado no motor de aeronaves.

A equipe médica que socorreu o engenheiro afirmou que ele teve uma reação alérgica grave e uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias; as duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira.

O caso aconteceu na quinta-feira (16) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

Quem jogou o óleo no corpo do rapaz foi um instrutor de voo. Ele foi preso em flagrante pelo crime de homicídio culposo (quando não há a intenção de matar), foi liberado após pagar fiança de R$ 3 mil e responde ao inquérito em liberdade. O nome dele não foi divulgado.

Veja, abaixo, o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso:

1. O que é ritual do banho de óleo

O chamado “banho de óleo” é um ritual tradicional realizado em diversas escolas de aviação no Brasil para celebrar marcos importantes na formação de pilotos.

A prática é mais conhecida após o primeiro voo solo, quando o estudante decola e pousa sozinho pela primeira vez, como foi o caso de Gustavo, mas também pode ocorrer em outras etapas da formação.

A tradição funciona como um “batismo” na carreira de piloto. Após atingir o marco considerado importante, o aluno recebe um banho com óleo de motor de aeronave, normalmente aplicado por instrutores ou colegas, como forma de comemorar a conquista.

Nas redes sociais há vários registros do costume de dar 'banho de óleo' em novos pilotos de avião — Foto: Reprodução / TikTok Casio.Lucy / YouTube Mamãe Piloto / Instagram Micaely The Pilot
Nas redes sociais há vários registros do costume de dar ‘banho de óleo’ em novos pilotos de avião — Foto: Reprodução / TikTok Casio.Lucy / YouTube Mamãe Piloto / Instagram Micaely The Pilot

 

2. O que aconteceu no Paraná

Amigos e familiares de Gustavo participaram da cerimônia a convite do próprio engenheiro. À polícia, um dos presentes relatou que, após o banho de óleo, Gustavo começou a passar mal e a ficar zonzo, e que os próprios familiares tentaram socorrê-lo.

“Nisso que a gente viu que começou a ficar sério, colocamos ele no chão. Ele estava com muita dificuldade de respirar. Daí a gente foi pra cima, tentar fazer alguma coisa, começou a gritar pra chamar o Samu, pra chamar o apoio ali do pessoal do helicóptero também que tinha ali do lado”, relatou uma testemunha, em depoimento.

 

No final da fala, a testemunha se refere à equipe aeromédica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que tem uma base no aeroporto de Ponta Grossa, onde aconteceu o caso.

Gustavo foi atendido pelo Samu ainda no local e levado a um hospital. Segundo os socorristas, após ter o óleo jogado em seu corpo, ele sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de uma reação alérgica.

3. O que a polícia fez após o ocorrido

Segundo a Polícia Civil, quem jogou o óleo no corpo do engenheiro foi um instrutor da escola de aviação, que não teve o nome divulgado. Ele se apresentou espontaneamente na delegacia e, de acordo com o delegado Lucas Petry, chegou em estado de choque.

O instrutor foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele foi ouvido e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.

Conforme a polícia, ele confirmou ter jogado a substância no jovem durante a comemoração e disse que o banho nos formados é feito do pescoço para baixo.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *