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Adultos e menores de idade são resgatados de situação análoga à escravidão em colheita de mandioca no Paraná

O Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 19 trabalhadores paraguaios que viviam em uma situação análoga à escravidão. Entre eles estavam dois menores de idade.

A operação de resgate, feita junto com o Batalhão de Polícia da Fronteira (BPFron), foi na segunda-feira (6). Na terça (7), as vítimas passaram por audiências para tentar garantir o retorno às cidades de origem.

Segundo o MPT, as vítimas eram exploradas no trabalho de arranque da mandioca em Ivaté, no noroeste do Paraná.

 

Um homem, também paraguaio, organizou a vinda delas para o Brasil de táxi, cujo valor era descontado dos salários.

As investigações apontaram que as vítimas viviam em duas casas no município de Tapira, também no noroeste, sem condições dignas de moradia, dormindo em colchões sujos espalhados no chão, com alimentação restrita. Conforme o MPT, o aluguel, a água e a luz eram descontados dos salários de cada um, criando uma servidão por dívida.

Além disso, segundo o MPT, a liberdade das vítimas era restrita, porque as saídas da casa deveriam ser comunicadas ao arregimentador.

➡️ Um arregimentador é aquele que organiza, mobiliza ou recruta pessoas. No setor rural, denomina o intermediário que capta mão de obra para o campo.

As investigações revelaram também que apenas os trabalhadores que eram de confiança do arregimentador podiam usar livremente os telefones pessoais, e que as vítimas eram ameaçadas e intimidadas para que não fizessem denúncia às autoridades.

Em relação ao trabalho rural, as vítimas não recebiam equipamentos de proteção – como botas, luvas, chapéu/boné –, nem áreas de vivência – como refeitório e sanitários. Além disso, conforme o MPT, não havia fornecimento ou reposição da água no local de trabalho.

Os trabalhadores prestavam serviços na informalidade, sem o reconhecimento de direitos trabalhistas básicos. Do salário que recebiam, eram descontadas as dívidas contraídas com o arregimentador, e restavam apenas R$ 400 a R$ 500 por mês.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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