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Marceneiro é preso por engano no Paraná, tem cabelo raspado e é solto dias depois após descoberta de erro sobre alvo de mandado

O marceneiro Felipe Penteado, que tem 21 anos e mora em Imbituva, na região central do Paraná, foi preso por engano após as autoridades descobrirem que o mandado de prisão foi expedido com o alvo errado. Durante a prisão, ele chegou a ter o cabelo raspado e foi mantido em uma cela na Casa de Custódia de Ponta Grossa, cidade a cerca de 60 km.

O verdadeiro alvo era Wanderson Felipe Lick Penteado. Ele é investigado por integrar um grupo suspeito de caça ilegal e tráfico de armas e animais, que foi foco de uma operação policial na terça-feira (17). Na data, o marceneiro teve a casa invadida por policiais, por volta de 5h30, enquanto ele e a família dormiam.

O inocente foi solto no final da tarde de quinta-feira (18), 53 horas depois da prisão, após a família relatar a situação e a equipe de reportagem questionar a Polícia Civil (PC-PR) sobre o caso.

“Acho que foram os piores dias da minha vida. Estar lá, junto com um monte de criminosos e sem dever nada, junto com um monte de gente sem poder falar nada, quieto, num canto, triste, e sendo inocente! É complicado”, disse Felipe, em entrevista.

O mandado de prisão continha os dados pessoais do marceneiro, como nome, número de documentos, nome da mãe e data de nascimento.

No entanto, ao reconhecer o erro e pedir a soltura do inocente, a Polícia Civil admitiu que confundiu as pessoas devido à similaridade dos nomes.

“No afã de cumprir com zelo as funções, nossa equipe incorreu em erro escusável. Ao considerar a pequena localidade de Imbituva, era praticamente impossível a existência de um homônimo. Porém, as pesquisas e diligências realizadas pela equipe policial acabaram por recair erroneamente em um homônimo. Assim constata-se realmente que a pessoa de Felipe Penteado, atualmente aprisionada é homônima da pessoa de Wanderson Felipe Lick Penteado, que utilizava o perfil nas redes sociais Facebook, como ‘Felipe Penteado’”, escreveu a corporação.

 

O documento também traz um print do perfil das redes sociais do verdadeiro alvo e ainda pede a adequação da ordem judicial para expedição de mandado de prisão para Wanderson.

Polícia Civil pediu soltura após reconhecer erro — Foto: Reprodução
Polícia Civil pediu soltura após reconhecer erro — Foto: Reprodução

Inocente vai pedir indenização

O advogado Gabriel Pupo, que atua na defesa de Felipe Penteado, disse que vai entrar com processo pedindo indenização do Estado “pois, o que se espera, é o mínimo dever de cautela estatal”.

“É completamente inadmissível a não realização de mínimas diligências para saber quem realmente é ou não acusado, ainda mais quando se está diante de ações ligadas à Organizações Criminosas. Ao contrário disso, o Poder Público simplesmente manda expedir mandados de prisão sem a devida cautela e, após diversos recursos, a única resposta obtida é de que ‘era praticamente impossível a existência de homônimo na pequena cidade de Imbituva’, em que pese na cidade haver mais de 30 mil habitantes.”

‘Eu não sabia o que estava acontecendo’

 

Felipe Penteado — Foto: Paulo Roberto Martins/RPC
Felipe Penteado — Foto: Paulo Roberto Martins/RPC

Em entrevista, Felipe Penteado conta que, no momento em que a polícia invadiu a casa onde moram ele, a mãe, o padrasto e o irmão, ele não entendeu o que estava acontecendo.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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