Quem é o fazendeiro que manteve casal de idosos em escravidão moderna por 20 anos no Paraná
Elton Lange é produtor rural, professor de escolas públicas estaduais e ex-presidente de uma cooperativa. Fiscais afirmam que ele mantinha idosos em paiol com risco de desabamento, em condições degradantes e sem direitos trabalhistas adequados.
Elton Lange, fazendeiro que manteve um casal de idosos em condição análoga à escravidão por 20 anos em uma propriedade rural em Guarapuava, na região central do Paraná, atua como professor de duas escolas públicas estaduais da cidade. Ele também é ex-diretor-presidente de uma cooperativa agroindustrial.
Na quarta-feira (10), agentes de fiscalização descobriram que ele mantinha um idoso de 84 anos e a esposa dele, de 66, em “condições degradantes” e sem direitos trabalhistas adequados na própria fazenda. Relembre detalhes mais abaixo.
Dados do Portal da Transparência revelam que o homem recebe quase R$ 20 mil de remuneração bruta por mês do Governo do Paraná pelo cargo de professor em duas unidades: no Colégio Estadual Professor Pedro Carli, que fica na Vila Bela, e na Escola Estadual Cesar Stange, do Bairro Boqueirão.
Ele é concursado desde 2003 e, recentemente, chegou a ser diretor escolar.
Em nota, a Seed-PR afirmou apenas que tomou conhecimento da denúncia envolvendo um servidor da rede estadual de ensino e destacou que “os fatos relatados não ocorreram no exercício das funções desempenhadas pelo servidor”.
“Diante disso, a Secretaria acompanha o caso e aguarda a conclusão dos trâmites e procedimentos conduzidos pelos órgãos competentes. A secretaria destaca que repudia quaisquer práticas que violem a dignidade e os princípios dos direitos humanos”, complementa o texto.
Na Cooperativa Agropecuária Mista de Guarapuava (Coamig), coletivo de Guarapuava dedicado a fortalecer a agricultura familiar, o fazendeiro foi diretor-presidente na gestão de 2023 a 2026. Ele deixou o cargo em março.
Pelas redes sociais, a Coamig se manifestou sobre o caso dizendo que soube da situação por meio da imprensa. Afirmou, também, que reconhece a gravidade dos fatos e que não compactua com “qualquer prática que viole a dignidade humana, os direitos trabalhistas ou os princípios legais que regem as relações de trabalho”.
Na nota, a cooperativa também destacou que a situação não possui relação com as atividades, operações, unidades, colaboradores e cooperados da instituição, tratando-se de fato atribuído à esfera particular do fazendeiro.
“Com uma trajetória construída sobre os princípios do cooperativismo, da responsabilidade social, do respeito às pessoas e do compromisso com o desenvolvimento da região, a Coamig reforça que pauta sua atuação pela ética, pela legalidade e pela valorização do trabalho digno. A cooperativa respeita e acredita na atuação dos órgãos competentes”, finaliza.


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