Motorista que salvou homem de atropelamento em ferrovia do PR afirma ter pavor de trem desde criança: ‘Fui instrumento de Deus’
Acidente aconteceu em Apucarana. Karla França estava a caminho da escola da filha e viu quando um homem se desequilibrou e caiu no trilho. Ela conseguiu tirá-lo do local oito segundos antes da passagem do trem.
A motorista que salvou um homem de ser atropelado em uma ferrovia de Apucarana no Norte do Paraná, nesta quarta-feira (3), afirmou que tem pavor de trens desde criança. Mesmo assim, Karla França agiu rapidamente quando viu João Dakizuki, de 55 anos, caído nos trilhos.
Com a ajuda de outra pessoa, ela conseguiu tirá-lo dos trilhos oito segundos antes da passagem do trem. Uma câmera de segurança filmou o momento.
“Eu fui instrumento mesmo de Deus, porque eu jamais faria isso. Meu esposo sabe, ele não passa na linha do trem quando o trem está vindo, porque eu tenho muito medo, muito medo. E é medo de chorar, de dar crise de ansiedade”, a professora relatou.
Em entrevista, Karla contou que, antes de tudo acontecer, estava observando de dentro do carro a caminhada do homem, que tem dificuldades de locomoção e usa um andador. A professora estava com a filha no veículo, a caminho da escola e aguardava para seguir o trajeto, atrás de outro automóvel.
Quando viu que o homem caiu nos trilhos, apesar do medo de trem, a reação dela foi correr para ajudá-lo.
“Quando eu vi, ele já estava com os braços dando pra mim, com aquele olhar bem apavorado […] Minha reação foi só puxar ele dali […] Essa força não veio de mim. Uma porque eu não teria força para arrastar esse homem e outra por conta do meu trauma mesmo”, disse a Karla.
Ela conta que nunca entendeu como adquiriu o medo, pois não se lembra de ter passado por nenhuma situação traumática que pudesse ser um motivo. Karla diz que, inclusive, já comentou sobre a fobia com psicólogos, mas não encontrou uma resposta para o pavor que sente.
Ela garante que o acontecimento desta semana vai ficar marcado na memória.
“Consigo entender que foi um ato bom, um ato heroico, mas eu ainda tenho medo da cena. Eu só tremia e chorava, não conseguia entender o que estava acontecendo. O barulho da buzina do trem ficou por muito tempo”, contou a professora.
Como o resgate aconteceu
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O incidente aconteceu na quarta-feira (3). Às 13h39, João se desequilibrou ao caminhar com o andador por cima da passagem de nível da Rua Hermes da Fonseca.
Karla, então, percebeu o acidente e abandonou a condução do carro para correr até ele. Ao mesmo tempo, o maquinista acionou as buzinas para alertar os pedestres sobre a aproximação do trem.
A mulher alcançou o homem quando o horário da câmera marcava 13:39:26. Depois de puxá-lo e garantir que ele estava na calçada, fora dos trilhos, o trem passou, às 13:39:34, pelo local em que o homem estava caído.
Faltando dois segundos para a passagem, outro condutor também foi até eles e conseguiu colocar o homem de pé na calçada.
“Eu vi ele passando assim bem instável, com o andador, até a hora que ele pisou na linha do trem. Eu via que ele tremia bastante. Ele tava usando um sapato muito grande. Eu acredito que isso ajudou ele a acabar caindo ali”, ela lembra.
O homem resgatado é aposentado e estava vendendo latinhas que havia coletado. Ele não se feriu.

