Itaipu obtém patente de dispositivo para controle de fluxo de água na barragem
Equipamento foi desenvolvido em parceria entre técnicos da usina e o Itaipu Parquetec
Da ideia à proteção intelectual, a inovação mais uma vez ganhou forma dentro da usina de Itaipu. Desenvolvido a partir de uma parceria entre profissionais da Binacional e do Itaipu Parquetec, um novo equipamento de aferição conquistou o registro de patente e demonstra a capacidade da empresa de transformar conhecimento técnico em soluções inéditas.
Trata-se de um novo modelo de dispositivo medidor de nível de líquido. “Basicamente funciona para transferir uma medida de nível de um ponto para outro. Se eu tenho um nível de água, que é o nosso caso, em uma altura X, essa invenção eleva o ponto de visualização daquele nível”, explica Diego Liska Dalri, técnico de obras no Laboratório de Concreto (SOCC.DT) da Itaipu e um dos criadores do novo instrumento.
O dispositivo é utilizado no monitoramento da vazão dos pontos de infiltração programados na barragem da usina. “Quando se faz uma barragem, há uma negociação com o rio. É como se disséssemos para ele, ‘se você quiser passar um pouquinho, venha por aqui’. Em toda a estrutura da Itaipu, nós temos aproximadamente cinco mil drenos, que são esses pontos de infiltração planejados. Sua função é aliviar a pressão que a água exerce na fundação e nas estruturas”, comenta o técnico.
O equipamento fica instalado nas canaletas por onde passa o fluxo de água dos grupos de drenos, próximos aos medidores de vazão. “Serve para o controle do fluxo de água. Se houver alguma alteração nos resultados daquele medidor, eu sei que naquela determinada parte da barragem vou precisar investigar aquele grupo de drenos para fins de manutenção”, afirma Dalri.
A Itaipu conta com esses dispositivos de medição desde a sua construção. Agora o equipamento foi aperfeiçoado. “Nos instrumentos antigos, o técnico tem que praticamente se deitar no chão para conseguir fazer a leitura. Como alguns ficam em pontos críticos e de difícil acesso, tivemos a ideia de fazer um medidor vertical. Primeiro desenvolvemos alguns modelos em laboratório, com materiais simples, para testar se a ideia funcionava. Depois, em parceria com o Itaipu Parquetec, as coisas fluíram e saiu um protótipo mais elaborado”, conta José Otávio Jesus, técnico de edificações no Laboratório de Concreto da Itaipu.
As principais vantagens são na ergonomia e velocidade de execução do serviço. “Representa um avanço tecnológico na aferição do fluxo de líquidos. O técnico não precisa mais se abaixar e tem outras possibilidades de fazer a leitura, agilizando o processo”, constata Jesus.


Da necessidade à criação
Os técnicos do Laboratório de Concreto explicaram que antes de partir para a criação do novo medidor, fizeram um levantamento da tecnologia disponível no mercado. “Se houvesse algo na prateleira, seria só pegar e instalar. Como não encontramos, decidimos partir para o desenvolvimento do produto”, lembrou Dalri.
Foram elaborados três protótipos em materiais simples, como tubos de PVC, parafusos e arames. O modelo mais adequado foi selecionado para os testes em laboratório e em campo. “Quando montamos na área, já vislumbramos algumas melhorias possíveis e foi assim durante toda a fase de testes. Só depois de termos certeza de que funcionaria é que partimos para a confecção da versão definitiva do protótipo, com materiais mais nobres, como o inox”, detalhou.
Com o projeto finalizado, a etapa seguinte foi garantir o registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI), órgão estatal responsável pelas patentes. O processo levou cerca de três anos e meio para ser concluído. A carta patente do medidor foi expedida recentemente, em 7 de abril, concedendo os direitos de criação do instrumento para a Itaipu pelo período de 15 anos.
Constam como inventores junto ao INPI os empregados da Itaipu Augusto Endrigo Anderle, José Otávio Jesus, Leonardo Brandalize Medeiros, Diego Liska Dalri, César Alberto Barreto Melgarejo e Ricardo Elias Miranda Rojas. Já pelo Itaipu Parquetec estão relacionados os funcionários Jorge Henrique Pazini Acordi, Bruno João Arenhardt, Luan Reginato, Kauane Scheles Rodrigues e Luis Antônio Sacapuca Aracayo.
O desenvolvimento do medidor de fluxo ocorreu por meio do convênio da Itaipu com o Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens (CEASB 5), do Itaipu Parquetec, dentro do projeto MABI – Métodos Alternativos para Leituras Manuais de Instrumentos de Auscultação Instalados na Barragem de Itaipu.
Inovação como valor institucional
A criação desse novo modelo de medidor de fluxo é mais um exemplo do potencial de inovação dentro da Itaipu. A empresa realiza anualmente o Prêmio Inowatt, um concurso que estimula a inovação entre os empregados da Itaipu Binacional nas diversas áreas de atuação da empresa. Além disso, detém a patente de outros oito programas e equipamentos criados internamente, assegurando os direitos sobre essas invenções e consolidando seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico e a geração de soluções inovadoras.


