Condenado por feminicídio no Paraná, brasileiro viveu 30 anos no Paraguai com identidade falsa
Condenado pela Justiça brasileira pelo assassinato brutal da própria ex-mulher, o paranaense Marcos Campinha Panissa passou mais de três décadas foragido no Paraguai, onde viveu sob identidade falsa e levou uma rotina que as autoridades locais classificam como comum. O criminoso foi preso em 2025 após um trabalho de inteligência que contou com cooperação internacional.
O homicídio ocorreu em agosto de 1989, em Londrina, no interior do Paraná. Na ocasião, Panissa invadiu o apartamento de Fernanda Estruzani, sua ex-companheira, e a atacou com 72 golpes de faca. A violência do crime chocou a cidade e, à época, a acusação destacou que a ação foi cometida com motivo torpe e de forma cruel, sem chance de defesa para a vítima.
Em depoimento registrado nos autos, Dona Terezinha Estruzani, mãe de Fernanda, demonstrou a dor da perda: “Odeio a mim mesma. Pensar que um dia amei ele como a um filho e receber essa traição que despedaçou o meu coração”.
Apesar de ter sido condenado em julgamentos anteriores, Panissa respondeu ao processo em liberdade. Em 1995, pouco antes de um novo júri, ele desapareceu. Como na época a legislação brasileira não permitia julgamento à revelia em casos de homicídio, o réu permaneceu foragido por anos. Posteriormente, com a mudança na lei, a Justiça o condenou à revelia a 19 anos e seis meses de prisão. Seu nome foi incluído na difusão vermelha da Interpol, lista que reúne os criminosos mais procurados do mundo.
A vida paralela no Paraguai
Após deixar o Brasil, Panissa se estabeleceu no Paraguai, onde adotou a identidade falsa de José Carlos Vieira. De acordo com as investigações, ele ingressou no país de forma irregular, mas conseguiu comprar bens, manter negócios no interior paraguaio e até formar uma nova família ao longo dos anos.
Vídeos exclusivos obtidos pelo programa Fantástico mostraram a rotina do foragado, que vivia de maneira discreta entre diferentes cidades do país vizinho. As imagens foram cruciais para que as autoridades conseguissem localizá-lo.
Prisão e cumprimento da pena
A captura aconteceu em San Lorenzo, na região metropolitana de Assunção, capital do Paraguai. Agentes paraguaios realizaram a abordagem, e Panissa não ofereceu resistência. Após os trâmites locais, ele foi entregue às autoridades brasileiras por meio de uma operação de cooperação internacional.
Com a prisão, o condenado começou a cumprir a pena de 19 anos e seis meses. O Ministério Público informou que o tempo já na prisão será contabilizado no total da condenação. A defesa de Panissa anunciou que pretende recorrer, buscando revisar a pena com base em decisões anteriores do processo. Já a acusação considera o caso emblemático, por demonstrar que, mesmo após décadas, a Justiça pode alcançar aqueles que tentam se esconder.
Fonte: Fantastico


