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Nicole Kidman diz que quer se tornar ‘doula da morte’ após perda da mãe; entenda como é o trabalho de quem acompanha o fim da vida

A atriz australiana Nicole Kidman afirmou que pretende se tornar uma “doula da morte”, profissional que acompanha pessoas no fim da vida, após a morte da mãe, Janelle Kidman, em 2024.

A declaração foi feita no fim de semana durante um evento na Universidade de San Francisco, nos Estados Unidos.

Segundo a atriz, a decisão surgiu a partir do luto profundo vivido após a perda da mãe, aos 84 anos.

Kidman contou que, durante os últimos momentos de vida da mãe, sentiu falta de um apoio externo.

“Ela estava sozinha, e havia um limite para o que a família conseguia fazer”, disse.

A atriz explicou que, diante das demandas familiares e profissionais, percebeu a necessidade de alguém que pudesse oferecer cuidado e acolhimento de forma mais dedicada.

“Eu pensei: gostaria que existissem pessoas que pudessem estar ali, de forma imparcial, oferecendo conforto e cuidado”, afirmou.

Entenda o que é uma doula da morte

As chamadas doulas da morte, ou doulas do fim da vida, são acompanhantes não médicas que oferecem apoio emocional, espiritual e prático a pessoas em fase final de vida.

O trabalho também inclui suporte aos familiares, especialmente durante o processo de despedida e luto.

Na prática, essa atuação costuma acontecer em casa ou em ambientes de cuidado, como hospitais e instituições de longa permanência.

A ideia é ajudar a tornar esse momento mais acolhedor, com escuta, presença e atenção às necessidades da pessoa e da família.

Diferentemente de profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, as doulas não realizam procedimentos clínicos.

Enquanto os cuidados paliativos se concentram no controle da dor e nos aspectos físicos, as doulas atuam principalmente no campo emocional e humano.

Doulas da morte trabalham para dar apoio emocional e espiritual para quem está morrendo — Foto: Pixabay
Doulas da morte trabalham para dar apoio emocional e espiritual para quem está morrendo — Foto: Pixabay

 

Doula não é enfermeira

Entre as funções, podem estar conversas sobre medos e desejos, apoio na organização de despedidas, ajuda para lidar com decisões difíceis e até a simples companhia nos últimos momentos.

Em alguns casos, a presença silenciosa já é suficiente para trazer conforto.

A atividade ainda não é regulamentada em muitos países, mas tem se expandido nos últimos anos, com cursos e formações específicas.

Um dos principais pilares desse trabalho é a escuta: saber ouvir, sem interromper ou julgar, é considerado uma das habilidades mais importantes para quem atua na área.

Contudo, diferentemente das doulas que atuam no parto, as chamadas doulas da morte — ou doulas do fim da vida — ainda não têm uma regulamentação específica na maior parte do mundo.

 

No Brasil, por exemplo, uma lei recente passou a reconhecer a atuação de doulas no acompanhamento da gestação, do parto e do pós-parto. Mas esse marco não inclui o apoio no fim da vida, que segue sem regras próprias no país.

Em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido, o cenário é parecido. A atividade existe e vem crescendo, mas é organizada principalmente por associações, cursos e códigos de conduta próprios, e não por leis específicas.

Nesses locais, há uma linha clara: as doulas podem oferecer acolhimento, escuta, orientação e companhia, mas não podem realizar atividades que são exclusivas de profissionais regulamentados, como médicos, enfermeiros ou agentes funerários.

Esse limite é central no debate sobre a profissão. Em alguns casos, inclusive, há disputas judiciais sobre até onde vai a atuação dessas profissionais, especialmente quando envolve cuidados após a morte ou serviços ligados a funerárias.

Mesmo sem regulamentação formal, há uma oferta crescente de cursos e certificações, além de organizações que estabelecem padrões de atuação e ética. A formação costuma focar em habilidades como escuta, comunicação, planejamento de fim de vida e apoio ao luto.

Para especialistas, o avanço desse tipo de cuidado acontece em paralelo ao envelhecimento da população e ao aumento da demanda por cuidados paliativos.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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