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Fraude no Aprova Paraná: investigação mostra que 5 aprovados em Medicina estavam na mesma sala, em colégio de cidade com 15 mil habitantes

Os cinco alunos aprovados em Medicina no programa Aprova Paraná Universidades participaram da seleção na mesma sala, no Colégio Estadual Santana de Tapejara, no noroeste do Paraná. Eles são investigados por fraude na avaliação Prova Paraná Mais 2025, que dá acesso a vagas em universidades públicas do estado.

De acordo com o Censo 2022, Tapejara tem 15.869 habitantes. A investigação da Polícia Civil (PC-PR) começou a partir de uma denúncia da Secretaria de Estado de Educação, responsável pelo programa. Os alunos não tiveram os nomes revelados.

Apuramos que a investigação levou em conta o desempenho anterior dos estudantes, as notas na avaliação do programa e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do colégio em que estavam matriculados.

Também foi considerada a probabilidade de aprovação em Medicina dentro do grupo de 124 alunos da instituição. No caso da instituição dos suspeitos, que teve nota 4,5, a chance era menor que um.

Anderfabio Oliveira, diretor de Educação da Secretaria de Estado de Educação (Seed-PR), disse em entrevista  que os alunos investigados apresentaram respostas padrão “avançado” mesmo que, antes, tenham apresentado padrão “básico” ou “abaixo do básico”.

“[…] nós temos um resultado que é embasado pela Teoria de Resposta ao Item, uma teoria que é utilizada também em outras avaliações, como o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], por exemplo. […] A gente consegue, de uma forma muito precisa, cruzar os padrões de desempenho. Então, esses estudantes estavam, por exemplo, no básico ou abaixo do básico, e de repente, eles apresentaram padrão de resposta avançada”, disse o diretor.

 

No total, sete alunos de Tapejara são investigados. Cinco deles foram aprovados em Medicina na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Dois foram aprovados em cursos diferentes: Engenharia de Alimentos, na UEM, e Enfermagem na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). No último caso, a estudante não realizou matrícula na graduação.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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