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Menos da metade dos alunos da rede pública no Paraná se sentem acolhidos por adultos na escola: ‘Perdemos oportunidade de construir, com eles, outros mundos’, diz especialista

Apenas 36% dos estudantes dos 8º e 9º anos de escolas municipais e estaduais do Paraná se sentem acolhidos pelos adultos, conforme uma pesquisa do Ministério da Educação (MEC). Entre os estudantes dos 6º e 7º anos, 54% sentem que os adultos os acolhem na escola.

Com o objetivo de entender qual o significado da escola para os adolescentes, a pesquisa ouviu 2,3 milhões de estudantes dos anos finais do ensino fundamental de escolas municipais e estaduais do Brasil inteiro. Desse total, 150.623 eram estudantes do Paraná.

Ao contrário de outras pesquisas educacionais, que geralmente avaliam critérios técnicos como o grau de conhecimento dos alunos nas disciplinas, a pesquisa apostou em uma abordagem socioemocional da relação dos estudantes com a escola em busca de soluções para a construção da “escola do futuro”.

Interação externa e interna na formação dos estudantes e da comunidade

Comunidade Escola leva serviços, lazer e artesanato para escolas aos sábados — Foto: Levy Ferreira/SMCS
Comunidade Escola leva serviços, lazer e artesanato para escolas aos sábados — Foto: Levy Ferreira/SMCS

Na pesquisa feita pelo MEC, 27% dos estudantes dos 8º e 9º anos afirmaram que interações além da escola poderiam ajudar. Desses, 41% apontaram visitas e passeios fora da escola e 13% interações com a comunidade dentro e fora da escola.

Em Curitiba, o Programa Comunidade Escola parte desse princípio, que valoriza a escola como espaço aberto de conhecimento. Aos sábados, 28 escolas municipais oferecem atividades para a população, como jogos, esportes, dança e música. Além de oficinas que atuam em eixos de inclusão social e digital e de empreendedorismo.

Em atividade desde 2005, o programa ultrapassou mandatos e contribui para a elevação dos índices de rendimento escolar e a redução dos índices de violência e da vulnerabilidade socioeconômica nas comunidades escolares.

“A gente fala muito sobre sair dos muros da escola. Aqui é o contrário: trazer a comunidade para dentro da escola”, detalha Viviane da Cruz Leal Nunes Vitorino, professora responsável pelo Comunidade Escola na Coordenadoria de Projetos da Secretaria Municipal da Educação.

As escolas são selecionadas para participar do projeto com base nos índices de vulnerabilidade da região onde está inserida. Segundo Giselle Viviane Barcik da Silva, responsável pela coordenadoria de projetos da Secretaria Municipal da Educação, o primeiro impacto percebido é a mudança de relação da comunidade com a escola.

“É para que a escola seja mais um movimento de impacto naquela comunidade que mais precisa de um olhar social e aprofundando as políticas públicas. O primeiro impacto é que as pessoas passam a entender aquele espaço como ‘meu’. Impacta a forma como eu trato a escola, como me reporto às pessoas da escola, como cuido do patrimônio da escola”, aponta.

Para o especialista Gabriel Maia Salgado, pensar o vínculo da criança com o território é, também, uma forma de promover espaços de participação. O contrário também pode acontecer. Quando a escola abre as portas para a comunidade, a sensação de cuidado e pertencimento aumenta.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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