Polícia prende 7 em operação contra o Comando Vermelho; mãe e primo de Oruam estão foragidos
O objetivo da operação, segundo a polícia, é desarticular a estrutura nacional da facção criminosa. Vereador Salvino Oliveira foi preso por suposto acordo com a cúpula do CV para fazer campanha.
A Polícia Civil do RJ iniciou nesta quarta-feira (11) a Operação Contenção Red Legacy, contra a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV).
Agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) saíram para cumprir, no total, 13 mandados de prisão. Até a última atualização desta reportagem, 7 pessoas haviam sido presas, e 4 alvos já estavam encarcerados.
Entre os presos nesta quarta estão 6 PMs e o vereador carioca Salvino Oliveira (PSD). Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Márcio Gama dos Santos Nepomucemo, o Marcinho VP, e mãe de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, é considerada foragida. Outro procurado era Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP.
O objetivo da operação, segundo a polícia, é desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, “identificada como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada”.
A polícia acrescentou haver “indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC)”.
Os alvos
- Arnaldo da Silva Dias, o Samurai, já encarcerado;
- Francisco Glauber de Oliveira, o GL, já encarcerado;
- Hélio da Costa Silva, major da PM, preso nesta quarta;
- Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP, foragido;
- Leandro Oliveira Loiola, PM, preso nesta quarta;
- Luiz Claudio Machado, o Marreta, já encarcerado;
- Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Marcinho VP, foragida;
- Marcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, já encarcerado;
- Reuel de Almeida Silva Fernandes, capitão da PM, preso nesta quarta;
- Rodrigo Paiva Lopes, PM, preso nesta quarta;
- Salvino Oliveira Barbosa, vereador, preso nesta quarta;
- Thiago Monteiro Gomes Marcelino, PM, preso nesta quarta;
- Thomás dos Santos Machado, PM, preso nesta quarta.
Acusações contra Salvino
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A Polícia Civil diz ter descoberto “tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico”, a fim de transformar esses territórios em bases eleitorais.
“Segundo os elementos reunidos pela investigação, o vereador Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho”, afirmou a instituição.
“Em contrapartida, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local”, prosseguiu.
“Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região”, destacou. A definição de parte dos beneficiários teria sido determinada diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente, segundo as investigações.
Salvino negou qualquer ligação com o traficante Doca, afirmou não ter envolvimento com a instalação de quiosques na Gardênia Azul e disse não conhecer o sobrinho do traficante Marcinho VP.
“Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, declarou.
O papel da família de VP
A polícia afirma que Marcinho VP “continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção” mesmo após quase 3 décadas no sistema prisional. As investigações indicam que VP é um dos integrantes do “conselho federal permanente” do CV.
A delegacia especializada afirma que Márcia Nepomuceno, mulher de Marcinho VP, atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, “participando da circulação de informações e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos”.
Landerson, sobrinho do chefão, segundo a polícia, “exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços e imóveis”.
Quem é Salvino
Salvino Oliveira tem 29 anos e nasceu na Cidade de Deus. Quando era criança vendeu balas e água em ônibus para reforçar o orçamento da família.
Aos 7 anos, entrou no Colégio Pedro II por meio de um sorteio. Além de ambulante, foi garçom e ajudante de pedreiro. Formou-se em Gestão Pública pela UFRJ.

