Agricultor que encontrou possível petróleo fez empréstimo de R$ 15 mil para perfurar solo em busca de água
Líquido semelhante a petróleo foi descoberto em propriedade de Tabuleiro do Norte (CE). Meses após ser notificada, a Agência Nacional do Petróleo disse que vai apurar o caso.
O agricultor Sidrônio Moreira, que pode ter achado um poço de petróleo em sua propriedade no município de Tabuleiro do Norte (CE), fez um empréstimo de R$ 15 mil para pagar pela perfuração do solo em busca de água. O líquido que ele encontrou no poço, porém, não foi água, e testes indicam que a substância pode ser petróleo. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) investiga o caso.
A residência onde a família vive, na localidade de Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 quilômetros da sede do município, não possui água encanada. Para abastecer a propriedade, em boa parte do ano, a família paga por carregamentos de água de carro-pipa.
Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço, após a contratação do empréstimo. Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água.
“Quando eles estavam perfurando, já estavam quase a 40 metros, depois de 30 metros, saiu um líquido, e aí no vídeo meu pai até comemora porque ele pensava que era água. E acabou que, depois que o perfurador parou, não saiu nada [de água]”, relatou Saullo Moreira, filho de Sidrônio.

📍Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Tabuleiro do Norte não está inserido em nenhum bloco de exploração de petróleo, mas a localidade onde a substância foi descoberta está a apenas 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo.
Além do empréstimo, Sidrônio usou parte das suas economias para pagar a perfuração. Após a frustração inicial com o primeiro poço, que não deu água, a família chegou a furar um segundo poço, mais raso. Porém, também não encontrou água.
“Tem poços na região que são de 30 metros, já dá água, e a água que a gente fala nem é água de consumo mesmo, é água pros próprios animais. A gente cavou outro poço, só que o outro poço é bem mais raso, é 20 metros no máximo, e aí não deu também. A gente acabou que isolando [o poço], porque, como não tava dando, a gente tava acabando o nosso recurso”, relatou Saullo.
Semanas após perfurar o primeiro poço, a família voltou a mexer no local, ainda na esperança de encontrar água. Em vez disso, eles encontraram um líquido viscoso, escuro, de odor característico semelhante ao de óleo automotivo.
Em junho de 2025, o filho de Sidrônio, o gerente de vendas Saullo Moreira, procurou a equipe do Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Tabuleiro do Norte em busca de orientação e conversou com o engenheiro químico Adriano Lima – agente de inovação do campus para o Vale do Jaguaribe.
Após receber uma amostra do material, Adriano levou o líquido para análise no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), onde realizou análises físico-químicas do líquido.


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