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Adilsinho, bicheiro mais procurado do Rio, é preso em Cabo Frio

O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, um dos mais procurados do Rio de Janeiro, foi preso na manhã desta quinta-feira (26), após anos de buscas.

A prisão foi feita em Cabo Frio, na Região dos Lagos fluminense, pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ) — composta por agentes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil do RJ, com apoio do Ministério Público Federal (MPF). Um monitoramento por drones confirmou onde o contraventor estava.

Adilsinho faz parte da cúpula do jogo do bicho no Rio e controla áreas da Zona Sul, Centro e Zona Norte da capital. Ele ainda é apontado como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado.

O PM Diego D’arribada Rebello de Lima, que fazia a segurança de Adilsinho, também foi preso. Ele servia na UPP Fazendinha/Alemão.

Contra o contraventor havia 5 mandados de prisão em aberto:

  1. Na Justiça Federal, é apontado como chefe da máfia dos cigarros;
  2. Na Justiça do RJ, responde como mandante da execução de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, rival da contravenção;
  3. Na Justiça do RJ, responde como mandante do assassinato de Fábio Alamar Leite;
  4. Na Justiça do RJ, responde como mandante da morte de Fabrício Alves Martins de Oliveira.
  5. E um inquérito sigiloso na Justiça Federal.

Mas a polícia apura se Adilsinho tem envolvimento em pelo menos 27 crimes cometidos por um grupo de extermínio — entre homicídios e tentativas de assassinato.

O advogado de Adilsinho, Ricardo Braga, afirmou que “a prisão ocorreu com toda a tranquilidade, sem qualquer intercorrência. Ele continua confiando na Justiça e vai provar sua inocência nos processos que correm na Justiça”.

Segundo a defesa, Adilsinho estava se exercitando dentro da própria residência por orientação médica no momento da prisão.

Bicheiro Adilsinho é preso e levado para a sede da Polícia Federal no Rio — Foto: Reprodução
Bicheiro Adilsinho é preso e levado para a sede da Polícia Federal no Rio — Foto: Reprodução

Anos de buscas

Adilsinho foi preso no âmbito da Operação Libertatis, deflagrada pela Polícia Federal em março de 2023, com uma 2ª fase em março de 2025. O objetivo era reprimir os crimes de tráfico de pessoas, redução a condição análoga à de escravo, fraude no comércio, sonegação por falta de fornecimento de nota fiscal e delito contra as relações de consumo.

Na 1ª etapa, há 3 anos, a PF estourou uma fábrica de cigarros clandestina em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. No local, no bairro Figueiras, os agentes encontraram 19 pessoas em condições análogas à escravidão — todos eram paraguaios.

Segundo a PF, os estrangeiros estavam alojados na própria fábrica e trabalhavam em jornada excessiva: 12 horas por dia, 7 dias por semana, em 2 turnos, inclusive de madrugada, e sem descanso semanal.

“Além disso, os trabalhadores se encontravam em local sem as mínimas condições de higiene, convivendo com animais, esgoto a céu aberto e com os próprios resíduos da produção dos cigarros. Eles não recebiam qualquer remuneração pelos serviços prestados, tinham a liberdade de locomoção restrita e ainda eram forçados a laborar sem equipamentos de proteção”, disse a PF, na época.

As investigações prosseguiram e, 2 anos depois, a PF deflagrou a 2ª fase da Libertatis. Doze pessoas foram presas — Adilsinho era um dos alvos, mas não foi encontrado.

O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da PF — Foto: Reprodução/TV Globo
O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da PF — Foto: Reprodução

A máfia do cigarro

Trata-se de um negócio de bilhões: de 2018 a 2023, segundo dados do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), só de sonegação fiscal o mercado do cigarro falsificado deixou de pagar R$ 10 bilhões em impostos em todo o Brasil – mais de R$ 2 bilhões só no Rio de Janeiro.

A marca Gift já era vendida ilegalmente no Rio – contrabandeada do Paraguai e rendendo milhões aos responsáveis pelo crime. Para ter o monopólio da venda ilegal, a máfia do cigarro no Rio passou a falsificar os cigarros em fábricas locais, com mão de obra inicialmente paraguaia – para que os cigarros mantivessem a qualidade daquele país.

Mas a fabricação hoje já é feita por brasileiros. Após produzirem os cigarros, a máfia obriga donos de bancas de jornal e comerciantes a oferecer somente o produto falsificado — e fiscaliza constantemente os pontos de venda.

O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da PF — Foto: Reprodução/TV Globo
O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da PF — Foto: Reprodução

Histórico de crimes

Em 2009, Adilsinho foi alvo da Operação Furacão, que investigou a cúpula do jogo do bicho do estado e seu envolvimento com máquinas de caça-níquel.

Segundo investigações da época, programas de apostas eletrônicas instalados nas máquinas das casas de jogos do Rio eram alterados para ludibriar apostadores e lavar dinheiro. Por essa investigação, ele chegou a ser condenado a 3 anos e meio de reclusão, mas depois teve sua pena extinta pelo desembargador Paulo Espirito Santo.

Em 2011, o nome de Adilson voltou a ganhar os noticiários por conta da Operação Dedo de Deus. Na casa dele, na Barra da Tijuca, policiais acharam R$ 4,6 milhões escondidos em fundos falsos de paredes e na rede de esgoto, além de material do jogo do bicho.

Na pandemia, Adilson deu uma festa de luxo para 500 pessoas e shows com cantores famosos, para comemorar seu aniversário. O evento, que teve direito a traje black-tie, era para comemorar os 51 anos de Adilsinho.

A ideia era fazer a grande festa em 2020, quando ele completou 50 anos, mas com o início da pandemia, ele adiou o evento.

O g1 teve acesso a um vídeo-convite do aniversário de Adilsinho. O “save the date” mostra os saguões do hotel ao som de um tema que lembra o do “Poderoso Chefão”.

Futebol e carnaval

Em 2010, Adilsinho fundou um clube, o Clube Atlético Barra da Tijuca, agremiação que chegou a disputar divisões inferiores do campeonato estadual.

No time, além de ser fundador, Adilsinho atuou como jogador e batedor oficial de pênaltis.

O contraventor também é patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.

Adilsinho é levado de helicóptero para a sede da PF — Foto: Reprodução
Adilsinho é levado de helicóptero para a sede da PF — Foto: Reprodução
Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho — Foto: Reprodução/TV Globo
Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho — Foto: Reprodução/TV Globo

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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